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Indo e vindo

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013


“Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.” 
- Clarice Lispector 

Às vezes sua vida muda de rumo, você encontra um alguém, e tudo muda. Seus dias nunca mais serão os mesmos. Os minutos viram saudades, e o tic-tac do relógio, parece uma eternidade. A ansiedade por rever, por sentir... Os quilômetros que separam, os acasos. Tudo parece tão complicado e confuso. A contínua espera. Não... Não é cansativo esperar, talvez um pouco torturante. E a cada novo dia, quando agente se encontrar, com certeza, vou te dar aquele abraço apertado, com muita sinceridade dizer que a saudade me consumia. Vou beijar-te e poder te olhar no olho. Sentir teu carinho, e retribuí-lo. Tenso, é saber que o tic-tac quando estamos juntos sempre é veloz. E eu te vejo partir mais uma vez, os sms indo e vindo. E mais uma espera se aproximando. O único lado bom, é saber que a cada reencontro, é tudo mais intenso.


E aceito o acaso

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012



Eu me permito mais liberdade e mais experiências.

E aceito o acaso.
Anseio pelo que ainda não experimentei.
Maior espaço psíquico.
Estou felizmente mais doida.

- Clarice Lispector

Beco-sem-saída

sábado, 1 de dezembro de 2012


‎"Tenho que ter paciência para não me perder dentro de mim: vivo me perdendo de vista. Preciso de paciência porque sou vários caminhos, inclusive o fatal beco-sem-saída."


- Clarice Lispector


Entender

sexta-feira, 19 de outubro de 2012


"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."
 
-Clarice Lispector
 

Tentar fazer-se de forte, e enfrentar

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012


Há um tipo de choro bom e há outro ruim. O ruim é aquele em que as lágrimas correm sem parar e, no entanto, não dão alívio. Só esgotam e exaurem. Uma amiga perguntou-me, então, se não seria esse choro como o de uma criança com a angústia da fome. Era. Quando se está perto desse tipo de choro, é melhor procurar conter-se: não vai adiantar. É melhor tentar fazer-se de forte, e enfrentar. É difícil, mas ainda menos do que ir-se tornando exangue a ponto de empalidecer. Mas nem sempre é necessário tornar-se forte. Temos que respeitar a nossa fraqueza. Então, são lágrimas suaves, de uma tristeza legítima à qual temos direito. Elas correm devagar e quando passam pelos lábios sente-se aquele gosto salgado, límpido, produto de nossa dor mais profunda.Homem chorar comove. Ele, o lutador, reconheceu sua luta às vezes inútil. Respeito muito o homem que chora. Eu já vi homem chorar.

Clarice Lispector - A Descoberta do Mundo

Quando?

quinta-feira, 30 de junho de 2011


Amanheci em cólera. Não, o mundo não me agrada. A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam. Mentir dá remorso. E não mentir é um dom que o mundo não merece... 

Clarice Lispector

A convivência me mostra a cada dia que passa, que de uma forma ou de outra, mesmo sem perceber, vivemos pra agradar aos outros. Mentimos até no pensamento. É sempre uma cobrança sem tamanho. Nunca satisfeitos, sempre procurando o mais. Passando por cima dos sentimentos. Maltratando. Nos maltratando. Orgulhosos (eu então, bem suspeita pra falar de orgulho). E paro a me perguntar: Que dia isso vai acabar? Quando que seremos capaz de acreditar que aquele sentimento de que lhe é dado é realmente verdadeiro. Quando? Quer saber? Acho que nunca. O mundo está cada dia mais competitivo. E o ser humano cada vez mais cruel.

Prisão

quarta-feira, 29 de junho de 2011


Acordei hoje com tal nostalgia de ser feliz. Eu nunca fui livre na minha vida inteira. Por dentro eu sempre me persegui. Eu me tornei intolerável para mim mesma. Vivo numa dualidade dilacerante. Eu tenho uma aparente liberdade mas estou presa dentro de mim.

Clarice Lispector

Uma prisão sem tamanho. Confusa, intensa. Indefinível. Tudo se tornando cada vez mais nostálgico. Não sei como me libertar dessa grade que me rodeia. Pressão e mais pressão. Responsabilidades. Chateações. Confusão. Incontrolável. Difícil de suportar. Sei apenas que estou morrendo a cada minuto que passa. Não quero mais viver assim. Porém não posso me libertar.

Sinto saudades

domingo, 19 de setembro de 2010

Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,eu sinto saudades...Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,de pessoas com quem não mais falei ou cruzei Sinto saudades do presente,que não aproveitei de todo,lembrando do passado e apostando no futuro...Sinto saudades do futuro,que se idealizado,provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!Daqueles que não tiveram como me dizer adeus;de gente que passou na calçada contrária da minha vida e que só enxerguei de vislumbre (...)Sinto saudades de coisas sérias,de coisas hilariantes,de casos, de experiências...(...)Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!

(Clarice Lispector)

Poesia de Cego

terça-feira, 7 de setembro de 2010


(...) Porque há o inefável. O amor não é um número. A amizade não é. Nem a simpatia. A elegância é algo que flutua. E se Deus tem um número - eu não sei. A esperança também não tem número. Perder uma coisa é inefável: nunca sei onde as coloquei. Inclusive perco até a lista de coisas a não perder. Morte é inefável. Mas a vida também o é. Inclusive ser é de um provisório impalpável. (...)

Clarice Lispector

Um grande escritor tem essa marca: nunca perde a atulaidade. Clarice era dessas. Lindo e oportuno o texto dela, como sempre.

Medo

segunda-feira, 26 de outubro de 2009


Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!

Clarice Lispector
Ilária Oliveira. Tecnologia do Blogger.