Dor. Só nós resta deixar pra lá, esperar que ela passe sozinha, esperar que a ferida que a causou cicatrize.
Dor. Só nós resta deixar pra lá, esperar que ela passe sozinha, esperar que a ferida que a causou cicatrize.








“Mesmo sabendo que é errado. Mesmo querendo ser forte. Mesmo sabendo que precisamos encarar certas situações complicadas sozinhos… Mesmo assim, é bom.”
Às vezes eu queria poder fazer as coisas consideradas loucas, consideradas insanas. Queria poder errar sem receber nenhum julgamento, pois com certeza eu continuaria aprendendo, só que se fosse dessa maneira, aprenderia realmente sozinha. Queria poder sair correndo sem olhar pra trás, sem pensar nas conseqüências, esquecendo que com o que estava fazendo, iria machucar pessoas. Queria em muitas situações, não me importar tanto com os outros e me colocar em primeiro lugar. Queria, pelo menos por uma vez, conseguir ser completamente egoísta, mas mesmo assim, não me sentir culpada pelo que estava fazendo e ser feliz. Queria poder fazer tudo isso, simplesmente porque tudo na minha vida sempre foi muito certo. Eu sempre tive que seguir o caminho azul, porque todos me diziam que era bom, e não porque eu quis.


Ela era uma menininha durona. Todos que conviviam com ela sabiam que ela amava diferentes pessoas, de diferentes formas. Mas o que poucos sabiam é que ela tinha uma caixinha. E que toda vez que ficava sozinha a caixinha aparecia ao lado dela. Pequena, discreta, trancada.
Um dia, mesmo sem chuva, uma triste coisa aconteceu. Então menininha chorou, e ninguém a compreendeu. Ela pegou a caixinha, abriu receosa e ali guardou aquela tristeza. A sensação que ela tinha era de que enquanto a caixinha estivesse fechada, não precisaria chorar por aquilo de novo.
Ela não queria chorar de novo, e não conseguiria lidar com aquela dor.
Mas havia algo de errado com a caixinha, a tranca parecia não aguentar a força daquela tristeza. Cada vez que a menininha ficava sozinha, sentia medo de que tudo viesse à tona.
A menininha não deixou de ser durona, mas cresceu com medo daquelas lágrimas. Não criou coragem de enfrentar a dor, e por isso, sofria toda vez que ficava sozinha.
Não tão autobiográfico como eu gostaria. A caixinha continua fechada, e fica difícil escrever sobre a tristeza que há nela.
