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De volta...

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014


Oi galerinha!
Ano se foi e eu não apareci aqui nem pra desejar um feliz natal e um próspero ano, mas desejo agora com atraso ...rs. Fui bem ausente ano passado, praticamente não escrevi. Me perdoem! Mas é que 2013 foi um ano muito complicado pra mim, venho passando por muitos perrengues, minha auto estima foi parar lá embaixo e perdi o entusiasmo para atualizar aqui. Pra 2014, pedi mudanças na minha vida. Pedi caminhos que me abram a mente e que iluminem meus desejos, tenho sido castigada pela vida de uma forma que não sei qual pecado cometi pra estar passando por tudo isso.
Pois bem, pra ficar mais perto de vocês, instalei o app do Blogger no meu celular e farei do Suspiro um diário... vou tentar por em palavras, fotos e vídeos tudo que venho sentindo e vivendo. Não sei se é legal expor minha vida assim, mas vai ser meio que uma terapia, não sei também se postarei todos os dias, mas farei um esforço.
Beijos.


Coragem

segunda-feira, 3 de junho de 2013

A coragem para aceitar que não tem mais jeito é a mais difícil de se criar. Não conseguimos enxergar o que já devíamos ter percebido. Ou, simplesmente, não queremos enxergar. O que é mais provável. Achamos que conversar sempre pode trazer o entendimento, mas as diferenças são grandes demais e não permitem. O entendimento não acontece, não de fato. Não queremos abandonar o que acreditamos que pode dar certo, mas não cabe mais a nós. Cada pequeno desentendimento e drama nos corrói por dentro fazendo acreditar que isso só leva a um fim. Está no ser humano ignorar tudo o que indica que você deve desapegar, mas não gostamos de perder. Não aceitamos uma derrota. Não essa. Então, sofremos. Calados. Criamos desculpas que nos cegam, mas que, de certa forma, nos dá a coragem para continuar acreditando que, um dia, vai dar tudo certo.



Feito um balão

sábado, 11 de maio de 2013

Há dias que venho aqui, abro a página, encaro ela por alguns minutos e nada sai. Desisto de escrever. Carrego a impressão de que sempre me perco nas palavras. A ideia era bacana no começo, mas agora começou a me incomodar. Por que? Eu escrevo sempre sobre as mesmas coisas. Tanto indiretamente como diretamente. 

Os pensamentos ainda são os mesmos, um pouco disfarçados, um pouco mais coloridos. Meus dedos apenas seguem pressionando as teclas, colocando no fundo branco as letras que formam palavras pesadas que deixam tudo subentendido. Sinto essa audácia de contar, secretamente, o que há de errado comigo. Com a esperança de que alguém compreenda que não é fácil carregar tanto peso no coração quando sentimos demais.
Eu sou pequena, não consigo carregar mais do que os meus bracinhos conseguem aguentar. Imagine só meu coração, que de vez em quando infla feito um balão e me deixa na beira da morte com cada emoção. Elas trazem uma dor de cabeça nível bomba atômica que é tão inconveniente que tem o poder de testar a minha tolerância diante dos conflitos. As pessoas são estranhas quando estão com problemas. 
Eu sei que tem algo me incomodando e também sei que esse algo não tem nome. Também queria saber se esse algo vai ficar por muito tempo porque, ultimamente, venho sendo espancada por uma sensação de que não estou pronta para nada. 
O estranho é eu estar feliz e sorridente ao observar o mundo. Não é uma escolha própria, nem uma armadilha do destino. Me tornei o que eu sempre temia. Me tornei o tipo de pessoa que finge que nada acontece e que continua seguindo com passos rápidos. Eu assisto a cena enquanto ela acontece de uma maneira da qual eu nunca pude sequer imaginar. 
Torço para que ninguém pergunte qual é o meu problema porque eu não saberia o que responder. Apesar de tudo, serei sempre aquela que se revira por dentro até achar uma solução. Sinceramente, prefiro assim. Viver do avesso sem ninguém se metendo no que eu sinto ou deixo de sentir. Não quero ninguém tentando decifrar o que se passa na minha cabeça, pois sempre foi perceptível o quanto eu preciso de espaço, o quanto eu preciso estar dentro da minha própria bolha. Nunca serei capaz de controlar minhas reações, nem minhas emoções.
A vida não é simples e eu não espero que ela seja. Nunca antes da história dela eu me deparei com coisas que pudessem cruzar meu caminho e me manter indiferente por tanto tempo. A verdade é que eu sempre vou me sentir incomodada quando as coisas funcionam em perfeita ordem. Elas significam problemas.

Yasmin Back


Quando na verdade não

sábado, 20 de abril de 2013

Intenso é tudo aquilo que deixa marcas no nosso coração, difíceis de apagar. Quase que sem querer a gente se apega aos sentimentos e os tornamos a coisa mais importante e preciosa que possuímos. Eles passam a nos definir tomando conta do nosso coração, preenchendo a parte que antes ficava vazia. Não estamos acostumados a guardar tanto sentimento, eles explodem dentro da gente. Arriscamos, sem saber se vale a pena arriscar, passando a acreditar que as coisas podem ser simples e normais, quando na verdade não são. Na verdade estão longe de ser. A verdade nunca é o suficiente. Essa é a hora que a gente deveria respirar fundo e acordar. A verdade é que eu nunca fui das que fazem sentido. Acho que me perdi. Me encontra. 

Jullie Souza

Instantes objetivos

domingo, 3 de fevereiro de 2013

"É chato chegar 
A um objetivo num instante 
Eu quero viver 
Nessa metamorfose ambulante "

-Raul Seixas 

É tão complicado entender ou tentar entender outra pessoa. Nunca se sabe quando se está agradando ou desagradando. Nada de regras justas, a vida é assim, perdemos e ganhamos preciosidades. Na vida, as diferenças nos dividem, e nos separam. Muitas vezes a motivação se escoa pelo ralo. O balé de dúvidas se forma em nossa mente. As dançarinas começam a ensaiar um novo passo. De repente as escolhas estão diante de nós. Entre desistir ou continuar, uma tem que ser escolhida. Ai você se ver diante do recomeço, do posso tentar mais uma vez. Ou não! Não digo que não sei, porque sei o porquê de mudar bastante. Tenho motivos e prioridades. É como se fosse uma bomba relógio cheia de sentimentos. E numa contagem regressiva se fez a explosão. Num efeito de metamorfose as bailarinas têm dançado num ritmo maior. É tudo muito confuso, mas pra cada ação existe uma reação.

Comigo mesma

domingo, 25 de novembro de 2012

Acho que descobri muito sobre mim nos últimos tempos, talvez não tenha sido tão tarde e sim um reconhecimento de sentimentos que 
ano após ano eu tentei apagar,
ou fingir que não faziam mais parte de mim, mas que por algum motivo todos eles voltaram a aparecer, que coisa estranha que é a vida…
Eu fiquei me desenhando me moldando me mudando e excluindo de dentro de mim certos sentimentos que só me faziam mal, e eu juro que achei que estava livre, e descobri que na verdade no fundo no fundo eu sempre continuei querendo amar, e que atrás daquela mulher aparentemente fria e sem sentimentos que eu me tornei eu escondia isso de mim mesma, minha vida é um grande teatro.. e agora eu tenho certeza, nunca vou me conhecer por inteira, sempre vou me surpreender comigo mesma, e sempre vou mudar, acho que agora posso mostrar sinceramente o que eu sinto, sem precisar esconder mais nada,e que na verdade sempre fui super apaixonada por tudo o que eu faço e pelas minhas atitudes ,mas todas elas mesmo, eu sou os restos de ontem, restos de sentimentos, restos de aprendizados…
Uma coisa é certa: eu mudei, eu aprendi que eu realmente tenho uma facilidade enorme de me apegar as pessoas, e acreditar no ‘dessa vez vai ser diferente’ mais eu também tenho uma facilidade enorme de esconder tudo isso caso seja preciso, eu ainda continuo dando o máximo de mim pra não me apegar pra não demonstrar e muito menos pra me apaixonar só que agora não mais por uma questão de medo.. só por garantia mesmo, porque agora eu sei que sou eu que me construo, e que demoro pra erguer e mesmo assim as vezes tenho recaídas.. Mais faz parte, ás vezes é preciso me desconstruir e reconstruir, me reinventar, me adaptar e aprender a viver.. eu venho conseguido tudo que eu quero aos poucos, e acredito que ainda vou olhar no espelho e escolher a 
mulher que eu quero ser…
”E AINDA BEM MELHOR DO QUE SOU HOJE” Sem máscaras, sendo simplesmente eu..


Particular abstrato

sábado, 10 de novembro de 2012


Segredos... Momentos únicos, frágeis e fortes. Um particular abstrato. Encantos, satisfações. Pouco dito, pouco compartilhado. Um conjunto desconexo, preso em épocas distintas. Pensamentos envenenados, olhares ávidos ou insolentes. Tudo muito real e humano. Sentimentos que se rompem por vontade própria e se despedaçam como blocos de areia.

Erro

quarta-feira, 5 de setembro de 2012


Sempre achei que tinha nascido no lugar errado. Hoje tenho a certeza maior que nasci na cidade errada, no tempo errado, com pessoas erradas, momentos errados, sentimentos errados. Tudo tem sido um erro. Não é suficiente o que sou hoje nem pra mim, nem pra muitos. E sinceramente, não me importo de não mais suprir exigências. Mas importo muito, por saber que sou insuficiente pra mim. O que acaba sendo mais um erro.

Ainda não é a hora

segunda-feira, 16 de abril de 2012


A vida é feita de momentos. Momentos esses que podem te levar às alturas com a mesma velocidade que te deixam no chão. 
- É Princesa com que classe você tem enfrentado isso tudo? Complicado pra se responder... Ao achar que está bem, oscila e se afunda num mar de sentimentos tristes. Então, eis que ressurge saltitante... Como entender? Erga a cabeça menina, vai mesmo deixar a coroa cair?
- Não! Ainda não. Eu não mordo meu bem... Mas tiro pedaço. Meu orgulho ainda é maior. Faz-me ter forças. Aqui sou eu quem dá as regras... E se o jogo não virar saberei colocar minhas cartas na mesa. Porém, decidi que ainda ainda não é a hora.

Já vai tarde

sábado, 31 de dezembro de 2011



Hoje é dia das clichês mensagens e despedidas de ano. Não muito diferente das demais blogueiras venho deixar aqui o meu último post. Não vou fazer listinhas de desejo para o ano que chega. Não queria também fazer retrospectivas. 2011 foi um ano que indubitavelmente não foi. Já vai tarde... Nunca desejei tanto que um ano se fosse. Mas de fato, já vai tarde. Dele só me restará uma única e boa lembrança.  Outro dia alguém me perguntou sobre ele, e eu inevitavelmente respondi que a melhor coisa que me aconteceu neste ano, infelizmente ficará nele, pois de certa forma a arrancaram de mim. Responderam-me: “Quanto peso nas palavras!”. Não é um peso, mas uma verdade. Pra que ficar fingindo o que aconteceu, na verdade o que nem chegou a acontecer? Foi como arrancar um doce de uma criança. Lamentável. Mas o tempo faz tudo valer à pena, nem mesmo o erro é desperdício. Levo na bagagem, mais um momento. Momento que me apresentou o respeito, me despertou a vontade de amar e ser amada. Agradeço as poucas horas de dialogo inteligente, de toques incomparáveis, de devaneios indeléveis. Mais um ano se vai deixando feridas que ainda não se cicatrizaram. Só que a vida não pode parar, sentindo ou não, viver é preciso. Não faço pedidos para o próximo ano, gosto de deixar as coisas acontecerem. Então, não peço, apenas afirmo que não quero mais perdas.

A vocês meus queridos leitores, um Feliz Ano Novo. Que suas listas de desejos se realizem.

Agonia-me

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011


Não deixei de sentir nada que sentia antes, apenas estou sabendo colocar da forma que não eu quero. Não tenho tanto sangue frio para dizer que não sinto, quando meu coração explode. Muita coisa tem oscilado. A mente em constante agitação. As palpitações. Os sintomas. A saudade. O orgulho. Cada uma a seu ton. Mas, sabendo se colocar nos seus devidos lugares. A sensibilidade não está tão constante, então tenho conseguido conciliar muito bem esses impertinentes sintomas. Talvez tenha sido a mistura de cinismo e ironia que me deixou assim. Não fria, mas muito calculista. Ouvir negações todo dia é frustrante. Então, o jeito é não pensar pra não enlouquecer. Tenho vontades, mas as guardo em segredo. Ajo do nada, falo o que me vem à cabeça. Agonia-me essa cruel sanidade. 

Às vezes morro de medo
(...)
Essa cruel sanidade
Que me leva a loucura
As vezes dura um dia
As vezes dura pra sempre
As vezes quero o improvável
Eu nunca fui razoável
Com os meus próprios desejos 


Áspera e sensível

terça-feira, 27 de dezembro de 2011


Tudo é forte e fugidio, avassalador e acometedor. Hoje atração, amanhã gestos apaixonados, depois de amanhã insegurança, na semana seguinte, nunca mais. Sumiço, desfechos entreabertos, brechas para o futuro; buracos para o passado. Qualquer dia, na casualidade, um outro encontro, novo tom de sentimentos, um enredo inovador praquilo que deixamos para mais tarde.
 - Camila Paier 

A maneira como as pessoas chegam e partem da nossa vida é intrigante. Não a convidamos para entrar, mas mesmo assim elas invadem; não pedimos para sair, mas elas se vão. Pedimos para entrar, mas elas se recusam; expulsamos, e elas insistem em ficar. Ai tudo se torna um amontoado de casualidades que uma hora dão certo e outras não. Tenho esperado por muito tempo certas realizações. A vida tem me tirado metade das minhas esperanças. Em alguns momentos, em alguns sonhos, o furto é total. Essas idas e vindas me ferem, me deixam áspera, me deixam sensível. Deixam-me irreconhecível. Já faz um tempo que não me reconheço mais... Tenho agido demais... Meus sentimentos pedem ação. O problema é que essas ações, muitas vezes em outros tempos não seriam minhas, isso têm me assustado. Não sei se estou agindo certo ou errado. Sei apenas que to agindo com meu coração.

Invernando

terça-feira, 15 de novembro de 2011


É tão bom quando sentimos o gostinho de coisa nova. Mas tão amargo quando a vulnerabilidade as apodrecem. O ciclo da vida tem sido assim, mas não deixa  de ser uma bagagem na mala. Mala de tantas viagens, tantos, momentos, de tantos ensinamentos. Mala que me faz parar para pensar, repensar, pensar mais uma vez. Nenhuma ou muitas conclusões tirar. Minha amiga desconfiança, companheira de tantos anos,  sempre ali a avisar: "colocou o casaco na mala, lá pode fazer frio." E como sempre ela não erra, aquela frente fria chega  invernando toda e qualquer fonte de calor. É tão perigoso viajar, necessário, mas perigoso. É tão seguro quando estamos em casa e sabemos que essa proteção nos envolve numa armadura difícil de tocar. Quero uma verdade para poder abraçar para sempre. Tanta coisa pra pensar. Tanta coisa pra sonhar. Tanta coisa pra viver. E apenas uma porta para entrar. Mas onde esta porta pode estar? Chega de portas erradas. Quero a viagem certa.

Embarcações

segunda-feira, 24 de outubro de 2011


A vida é um porto que não para de receber embarcações um só segundo. Quando não chega uma embarcação com passageiros alegrias, chega outra com passageiros tristezas. Os sentimentos são como ondas que bailam sem destino e vem de qualquer lugar. Às vezes pela violência de suas forças sabemos que vem tempestade. Tsunamis que alastram todo um afeto de anos cultivados. Numa questão de segundos, um coração fica em náufrago. Embarcamos nas que conhecemos, porém, sempre queremos mais e mais. Aí embarcamos na desconhecida. Quanto aos riscos, esses temos que saber nadar para não morrermos afogados.

Um medo que assombra

sábado, 8 de outubro de 2011


Não tenho estado muito bem nesses últimos dias, mas encontrei esse texto que está descrevendo o momento pelo qual estou passando perfeitamente.

Meu dia é uma correria, sei que é fase e que o jeito é dar seu melhor para que a meta seja atingida, mas fazem falta umas horas a mais no meu relógio, e dentro de mim.
Sem palavras, estou oca. Sumiram, congelaram, evaporaram: não escrevo. Não faço mais reflexões absurdas, se quer converso com meus botões ou fico sozinha com meu zíper. O vulcão que sempre fui, adormeceu. Deixou toda a adrenalina para a corrida até a parada de ônibus, toda a esperança para que este não esteja lotado. Vi minha intensidade diminuindo, e a revolta sendo cronometrada, não tenho tempo pra isso. Minhas pobres neuroses deixadas de lado, desamparadas, trocadas pela vontade de viver, a conformação e perseverança: não deu assim, de outro jeito há de dar. Meus sonhos se tornaram um: passar no vestibular. E o peito? Batendo sofrido.
Nua, completamente a mostra e frágil, sem letras a me cobrir e palavras a definir. Sem frases por onde caminhar segura, páginas pra me esconder ou livros pra fazer de casa. Eu sempre fui grafia, mas também fonema. Sempre tive voz ativa, palavra na ponta do dedo e desejo por passar pra fora o turbilhão interno que eu carrego, porém hoje, me abstenho. Escuto mais e ainda leio; perco-me em cálculos, diálogo com números e as letras que encontro são incógnitas. É isso, tá tudo tão misterioso, tão vazio, tão...oco. É tanta promessa pro futuro, tanto investimento no amanhã, tanto trabalho hoje. É tanta luta para o que eu nem sei se vem, é tanto esforço pra uma chance que pode fugir. Do amanhã nem o clima conheço e do hoje, só vejo névoa. É caminho desconhecido e eu sem bússola, sem mapa. Não dá pra descrever, nem dá pra escrever. Sentimento voando, entrando e saindo, titubeando, confundindo. Deixo-os ir, e voltam e se perdem e somem, não sobra vogal nem consoante pro papel. Não resta nada em um coração que aprende a deixar ir, é ensinado a deixar entrar e ainda assim, consegue prender, trancafiar a sete chaves o que deveria deixar voando aos quatro ventos. Sumiram as rimas, esgotaram-se os poemas: é tudo rotina, comum, clichê. É cama vazia, comida requentada, esperança sanfonada. É amor triturado, saudade parcelada e um silêncio que não é meu mas que agora eu carrego. É oco, é felicidade entrando e saindo, tristeza perturbando e se esvaindo. Completo-me ao mesmo tempo que me encho de buracos, não sacio, não mato fome, não dou fim a carência. Um entra e sai dentro de mim que deixa tudo pisoteado, é festa e velório, inverno e verão, e eu só sobro oca, vazia de novo. Sorrindo por isso, chorando por aquilo, me sinto o arco-íris em meio ao sol e a chuva. Crescer é uma porrada e talvez minha armadura não seja forte o suficiente, ainda. E quanto mais misturo o que fui com o que me torno e com quem um dia serei, menos me encontro, e até me assusto. Ninguém mais me habita, é transição; são inquilinos, hóspedes temporários, locatários. Bate um solidão que ecoa, um medo que assombra. Corrida sem descanso, cabeça que não para, placa não lida, bilhete não deixado, pedaço de mim reservado. Não escrever é preservar, me esconder. Fingir que não estou sentindo ou pensando, não propagar emoções diversas em formato de texto, não pontuar angústia, virgular intensidade. Ignorar dores que começam miúdas - e não merecem atenção- e proteger alegrias frágeis, que se desfazem quando as divulgamos. Oca de vida, que o dia me dá e a noite me tira, que o pouco sono me leva e o cansaço me ganha. Oca e depois cheia, nesse ciclo de quem quer viver completa quando só sabe ser metade; de quem tenta fazer tudo mas é boa em uma só parte; de quem quer tudo e mais um pouco, porém nem tem onde guardar tanto. Palavras, voltem pra mim, saiam dos livros didáticos, dos resumos, das obrigatórias e das fórmulas, sejam novamente minha cama, alimento e fuga. Deixem-me oca após um desabafo mas voltem a me preencher em cada linha desse meu corpo, que tem um coração que sente, uma cabeça que pensa e mãos dispostas a traduzir o conflito entre os dois.

Texto retirado daqui.

Sentimento inválido

quinta-feira, 18 de agosto de 2011


Entre as mais diversas situações, uma das mais constrangedoras é quando já se vivenciou uma amizade, um romance ou qualquer outro tipo de relacionamento testemunhado com alguém, e esse vínculo não existe mais. Porém, as pessoas sempre para pra te perguntar sobre fulano, ciclano ou beltrano. Se informar é bom, evita constrangimentos. Cidade pequena, histórias de esquina, resenhas de botecos, fofocas de janela. Tantas formas de informação e mesmo assim, do nada, vem alguém e pergunta novamente: - E fulano? Não sei, e nem me interessa saber como está, me interessa menos ainda saber sua versão pela qual não nós falamos mais, também não me importo pelo o que ainda sente. Não! Não quero mais você na minha vida. Gostaria também que respeitassem a minha decisão e não falassem mais à respeito comigo. Você não faz parte mais da minha vida. Entenda isso!

Descartáveis

sábado, 9 de julho de 2011


Comecei a interpretar as pessoas do meu jeito. Simulando destinos, transformei-os em personagens. É mais fácil lidar com pessoas quando não ficamos imaginando o que elas vão pensar. É como um livro, eu sou a autora, e assim vou dando rumo aos meus personagens. 
Alguns sentimentos antes recriminados afloraram-se, outros tão expressados morreram. Não por mim, mas pelos outros. A minha visão antes distorcida, hoje só vê-los sem graça. Não me emocionam mais como antes. Eu sei que você muda, eu mudo, pessoas mudam o tempo todo. A diferença é que essa mudança pode ser pra melhor ou pra pior. Muitas mudaram e me decepcionaram. Ou será que elas sempre foram aquilo e eu nunca quis enxergar? Não dá pra saber, prefiro acreditar nas mutações.
Num dia eu posso matar a mocinha e tornar o vilão em herói da história. Num outro eu deixo tudo como está. E quando eu enjoar... troco de personagens.

E tudo o mais

sábado, 2 de julho de 2011


Eu vou gostando, eu vou cuidando, eu vou desculpando, eu vou superando, eu vou compreendendo, eu vou relevando, eu vou… E continuo indo, assim, desse jeito, sem virar páginas, sem colocar pontos. E vou dando muito de mim, e aceitando o pouquinho que os outros tem pra me dar.

Caio Fernando Abreu

Só que esse pouquinho não me é suficiente. É muito pouco. Ruim. Não que esteja sendo egoísta, ou até mesmo mal agradecida. Mas é verdade. Me sinto muito só, me falta carinho atenção e tudo o mais. Meus pensamentos vem e vão e todo um sentimento se desfaz. É questão de segundos. É tudo tão der-repente, quando penso, detalhes me fazem mudar completamente aquilo que eu pensava que era e uma simples coisinha me faz deixar de ver aquele sentimento como antes.  Um minuto a mais agora tanto faz. Não vai mudar. O que eu quis era pra já. Se sente verdadeiramente, demonstre. Seja sincero, não to pedindo muito, ao mesmo tempo achando que sim. Só é uma necessidade muito própria. Não sei de onde, nem como vem. Mas é necessária. Têm sido um momento carência mesmo. Afetos pra mim se tornaram muito importantes. E todos que me forem dados serão muito bem-vindos.

Quando?

quinta-feira, 30 de junho de 2011


Amanheci em cólera. Não, o mundo não me agrada. A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam. Mentir dá remorso. E não mentir é um dom que o mundo não merece... 

Clarice Lispector

A convivência me mostra a cada dia que passa, que de uma forma ou de outra, mesmo sem perceber, vivemos pra agradar aos outros. Mentimos até no pensamento. É sempre uma cobrança sem tamanho. Nunca satisfeitos, sempre procurando o mais. Passando por cima dos sentimentos. Maltratando. Nos maltratando. Orgulhosos (eu então, bem suspeita pra falar de orgulho). E paro a me perguntar: Que dia isso vai acabar? Quando que seremos capaz de acreditar que aquele sentimento de que lhe é dado é realmente verdadeiro. Quando? Quer saber? Acho que nunca. O mundo está cada dia mais competitivo. E o ser humano cada vez mais cruel.

E sim, simples

sábado, 11 de junho de 2011


(...) Verdade que o tempo, de tão apertado, anda corrido e tanto minha disposição, quanto momentos disponíveis não são mais os mesmos. Aliás, diminuem gradativamente: acumulações se atribulam, alguns percalços pedem ajuste, gente gritando daqui, sentimento puxando do lado de lá - tem sido mesmo difícil satisfazer, mesmo com todo meu amor imenso e coração errante, as demandas daqueles que figuram como favoritados depois das sete chaves, do lado esquerdo, quase no meio do tronco. Os dias tem ficado cada vez mais frios, e me congelado junto, será? Cansei de correr atrás, só tenho suportado quem me compreende sem aquele esforço descomunal (e sim, simples), porque tudo que mais desejava é que, no momento em que o ritmo apertasse e o fôlego começasse a cessar, eu tivesse a quem olhar apenas de rabo de olho, sucinta e prosseguir na maratona que tem sido a vida.


Camila Paier


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