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Ser bandido virou moda

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Se o politicamente correto é chato, o politicamente escroto é insuportável. 
-Jean Wyllys

Cresci ouvindo que o mundo não acaba o que acaba são as pessoas. Agora me pergunto que mundo é esse que estamos vivendo? Mundo que mata e morre por migalhas, por amor, por loucura, por centavos, pizza, celular, ira. Há dias venho observando que ligo a TV e não tem outra notícia, entro na internet, a mesma coisa. Ouço o rádio, nada muda... Pior saio na rua e vejo a realidade mais perto do o que já pude imaginar. Que mundo é esse? Mundo que não se tem liberdade nem de respirar, temos sempre que está ali, atento, pra não se tornar mais uma porcentagem. Poxa! Que mundo é esse que o menor só tem de menor sua mente? Que mundo é esse que já nem se sabe mais quem é criança? Triste e cruel realidade. O “brinquedo” mais desejado se tornou uma arma, um cigarro, uma pílula, uma pedra. Não se fabricam mais infâncias? As crianças já nascem adultas, adultas sem nenhuma sanidade, onde seu olho só alcança o seu umbigo, e se esquecem de ver que a vida não é isso. Penso! E o adulto? Esse talvez tenha apenas se camuflado no passado quando não tiveram a ousadia do jovem de hoje, onde o crime não tem mais limite e ser bandido virou moda.



Feito um balão

sábado, 11 de maio de 2013

Há dias que venho aqui, abro a página, encaro ela por alguns minutos e nada sai. Desisto de escrever. Carrego a impressão de que sempre me perco nas palavras. A ideia era bacana no começo, mas agora começou a me incomodar. Por que? Eu escrevo sempre sobre as mesmas coisas. Tanto indiretamente como diretamente. 

Os pensamentos ainda são os mesmos, um pouco disfarçados, um pouco mais coloridos. Meus dedos apenas seguem pressionando as teclas, colocando no fundo branco as letras que formam palavras pesadas que deixam tudo subentendido. Sinto essa audácia de contar, secretamente, o que há de errado comigo. Com a esperança de que alguém compreenda que não é fácil carregar tanto peso no coração quando sentimos demais.
Eu sou pequena, não consigo carregar mais do que os meus bracinhos conseguem aguentar. Imagine só meu coração, que de vez em quando infla feito um balão e me deixa na beira da morte com cada emoção. Elas trazem uma dor de cabeça nível bomba atômica que é tão inconveniente que tem o poder de testar a minha tolerância diante dos conflitos. As pessoas são estranhas quando estão com problemas. 
Eu sei que tem algo me incomodando e também sei que esse algo não tem nome. Também queria saber se esse algo vai ficar por muito tempo porque, ultimamente, venho sendo espancada por uma sensação de que não estou pronta para nada. 
O estranho é eu estar feliz e sorridente ao observar o mundo. Não é uma escolha própria, nem uma armadilha do destino. Me tornei o que eu sempre temia. Me tornei o tipo de pessoa que finge que nada acontece e que continua seguindo com passos rápidos. Eu assisto a cena enquanto ela acontece de uma maneira da qual eu nunca pude sequer imaginar. 
Torço para que ninguém pergunte qual é o meu problema porque eu não saberia o que responder. Apesar de tudo, serei sempre aquela que se revira por dentro até achar uma solução. Sinceramente, prefiro assim. Viver do avesso sem ninguém se metendo no que eu sinto ou deixo de sentir. Não quero ninguém tentando decifrar o que se passa na minha cabeça, pois sempre foi perceptível o quanto eu preciso de espaço, o quanto eu preciso estar dentro da minha própria bolha. Nunca serei capaz de controlar minhas reações, nem minhas emoções.
A vida não é simples e eu não espero que ela seja. Nunca antes da história dela eu me deparei com coisas que pudessem cruzar meu caminho e me manter indiferente por tanto tempo. A verdade é que eu sempre vou me sentir incomodada quando as coisas funcionam em perfeita ordem. Elas significam problemas.

Yasmin Back


Escuro

segunda-feira, 15 de abril de 2013


O cansaço da alma, além de me deixa ofegante, trouxe fraturas emocionais que levarão tempo e pedirão firme dedicação para que se curem totalmente. 

-Camila Paier


Tenho minha alma espancada, e o que mais sinto é dor. Sinto o rubor na minha pele. Tenho em mim olheiras profundas, de quem dorme um sono inquieto. Que não dorme. Que dorme em excesso. Sinto-me triste, extremamente ferida. Vejo-me abatida, sozinha, chorosa, e irritada. Tenho a cabeça dolorida, o mundo desaba sob ela. E que mundo é esse? Que te trai, que te desaponta, que te decepciona, que te espanta, que te machuca. Que mundo é esse?Não é mundo, são pessoas. O claro de tão alvo e rabiscado se fez demasiadamente escuro, negro. Eu peço trégua, não tenho suportado mais. As feridas não se cicatrizam, aumentam gradualmente, como um vírus infetando o mínimo que tem restado. Suplico! 


Nem princípio nem fim

segunda-feira, 8 de abril de 2013

“Morro do que há no mundo:
do que vi, do que ouvi.
Morro do que vivi.
Morro comigo, apenas:
com lembranças amadas,
porém desesperadas.
Morro cheia de assombro
por não sentir em mim
nem princípio nem fim.
Morro: e a circunferência
fica, em redor, fechada.
Dentro sou tudo e nada.”

Cecília Meireles

Blocos de areia

quinta-feira, 4 de abril de 2013




Aqueles pulmões envenenados, cérebros se liquefazendo, idéias demasiadamente espontâneas, peles que se rompem por vontade própria, ossos se despedaçando como bloco de areia, memórias perdidas, olhares ávidos ou insolenes, tudo isso é humano e real, mas que o mundo lá fora ver como universo paralelo, uma realidade particular. Um conjunto mobiliário desconexo, presos à sua pior época. 

Adaptando do livro Cartas ao CãoTatiana Busto Garcia

Necessárias

sábado, 30 de março de 2013

Não sou para todos. Gosto muito do meu mundinho. Ele é cheio de surpresas, palavras soltas e cores misturadas. Às vezes tem um céu azul, outras tempestade. Lá dentro cabem sonhos de todos os tamanhos. Mas não cabe muita gente. Todas as pessoas que estão dentro dele não estão por acaso. São necessárias! 
-Caio F. De Abreu 

Hoje acordei tão triste. Tão ferida! Ao ponto de deitar a cabeça ao travesseiro e sentir a lágrima derramar. Existem coisas nessa vida que eu gostaria de entender, outras que preferia desconhecer. Como pode você achar que conhece alguém há tanto tempo e num estalar de dedos esse mesmo se tornar um total desconhecido? O visivelmente observável, ficou tão real. Paciência para compreender, sensatez para exonerar-se, confiança para crescer. Tão estranho o que sinto, intenso, talvez cruel. Essa é a vida, suas surpresas e especulações. O necessário se fez inútil. Eu realmente não entendo e gosto de porquês muito bem explicados. E quando nem existe por quê? Felizmente, a vida me ensinou separar o que é útil, do dispensável. Então, nada mais justo do que dispensar o que não me serve mais. 

Inconstante

domingo, 3 de março de 2013

“O fim nem sempre é o final. A vida nem sempre é real. O passado nem sempre passou. O presente nem sempre ficou e o hoje nem sempre é agora.” 
-Desconhecido 

Não sei você, mas eu vivo uma variante. Pra ser sincera, não tenho tido muita certeza sobre os episódios da vida. Valores, preconceitos, julgamentos. Tudo excessivo. Um exagero de atitudes e muita vacância também. Quando penso que chegou o fim, recomeça ou continua. Quando escolho o real, prefiro voltar pra fantasia. Quando penso que passou, existe resquícios. O presente é obscuro. O hoje, sempre parte. O futuro, nunca fica. Estranho, solitário, perdido. Platônico. Minha alma está encardida de ansiedade. Sinto-me meio vazia, necessitando ser preenchida seja lá do o que for, preciso estar cheia, quero transbordar. As pessoas costumam dizer que quando uma porta se abre, outras possibilidades surgem, outros mundos nos envolvem. Não discordo, mas nem toda porta é igual. Pra tudo existe uma consequência, e ela pode te machucar ou te libertar. Muitas vezes a porta errada pode ser a certa e a porta certa pode ser a errada. As coisas, as pessoas tem se comportado de forma muito contraditória, o que torna tudo um embaralhado de conquistas e decepções.

É infeliz, felizmente

domingo, 11 de novembro de 2012


Que droga! Por que as coisas precisam ser assim, tão julgadas? Queria muito ter a inocência de uma criança, longe de tão ridícula realidade. Por que tem que ser assim? Eu só queria um pouquinho de paz, de companheirismo, de momentos compartilhados. Eu to cheia de ti-ti-tis. Pessoas que nada fazem além de tagarelar vida alheia. Deixem-me em paz! Deixe-me viver minhas alegrias. Desmedida de tudo... Quero emoção, quero virtude, quero amor. Não preciso de satisfações. É tudo tão bonito quando o preconceito não existe. É infeliz, felizmente que me orgulho de mente tão evoluída. É talvez eu seja mesmo de outro mundo.

Só quero exceções

segunda-feira, 29 de outubro de 2012







“O que me mata é o cotidiano. Eu queria só exceções.” 
- Desconhecido 






Essa caixinha de surpresas que é a vida é mesmo muito enigmática. Num dia ela te trás um baú de felicidade, no outro, um baú de desastres. Não que eu esteja num momento drástico, mas estou cansada, minha mente está cheia... Tenho pensado mil coisas ao mesmo tempo. Preciso mesmo de férias físicas e mentais. Mas por outro lado, também não chega a ser um baú de felicidade, mas tem acontecido tanta coisa boa, que me purifica e me deixa mais leve, com vontade de gargalhar pra o mundo todo. Adoro essas sensações, essas aventuras... a única coisa que posso afirmar é que são momentos dos quais não me arrependo e faria tudo exatamente igual.

A vida e os destinos

segunda-feira, 15 de outubro de 2012


Amar sempre é bom, mesmo quando não correspondido....
Quando estamos apaixonadas, queremos obviamente, sermos correspondidos, e algumas vezes, isso acontece naturalmente, outras não, precisamos batalhar, ir conquistando aos pouquinhos o outro coração...
Agora, quando não há esperanças de reciprocidade (kkkkkkkkkkkkk...Eu disse quando não há, ressalto.kkkk), devemos sim, partir pra outra, sem mágoas ou ressentimentos, pq, no coração ninguém manda, não é ?
O outro não têm culpa se não aconteceu da mesma forma e com a intensidade com que, aconteceu conosco, algumas vezes nos amam a seu modo, mas que, para nós não é suficiente...
Bobo não....jamais seremos bobos de alguém, quando o amor se faz presente em nossos corações...jamais....
Ser bobo é ter medo de amar, de entregar o seu coração, com receio de sofrer...
Se não corrermos riscos, se não metermos a cara, ir fundo, não ficaremos sabendo se, poderia ter dado certo ou não.... Talvez seja uma decisão mais racional, sábia. 
A vida merece ser vivida com intensidade. E essa certeza nos ajudará a traçar o melhor caminho para o verdadeiro e puro amor.
Que amor é esse? O amor companheiro, o amor das paixões e dos sonhos. O amor da saudade e da vontade, um do outro.
Friedrich Nietzsche disse certa vez: os grandes momentos da nossa vida chegam quando juntamos a coragem de transformar nossas fraquezas no melhor de nós mesmos.
Portanto, quando o amor não é recíproco, então é melhor transformá-lo no melhor amor do mundo, ou simplesmente, criar ânimo para as mudanças. Um novo amor.
Então é assim, bobo mesmo, é aquele que tem medo do amor, medo de amar....

...
Nem sempre.
Há aqueles encontros em que não se conhecem bem os porquês.
Há aquelas/aquelas que se "casam" mas só mais tarde isso fica explicito, como todas as consequências;
Há o espírito de renúncia levado às últimas consequências e cujo entendimento não é possível ver "de fora" da relação.
Há um bobo envolvido nisso? Pode ser. Mas pode ser apenas uma avaliação pessoal.
A vida e os destinos tem razões intrincadas e complexas.
A busca sempre é por ser feliz e ter paz interior. A vida é um caleidoscópio.
E que se dane o Mundo!!!Com Carinho sem maldade, porque desejar o mal pra si obviamente chega, passa a eternidade que passar...
Sejamos felizes sem forçar a reciprocidade, kkkkkkkkkkkkkkk...Tudo ao seu tempo com ou sem vontade o que tiver que ser será aqui ou na china, kkkk..Concorda!?


Curiosidades: Lua azul

sexta-feira, 31 de agosto de 2012


Quem olhar para o céu na noite desta sexta-feira (31) poderá ver um fenômeno que acontece apenas uma vez a cada dois ou três anos. A chamada Lua Azul é a segunda lua cheia em um mesmo mês. De acordo com o físico do Observatório Astronômico do Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC), Jorge Honel, a diferença de 29,53 dias entre as luas cheias é ideal para o fenômeno ocorrer. O nome surgiu a partir do anuário astronômico americano do século 19, quando um astrônomo usou a expressão Blue Moon para designar a fase recorrente do astro. Na língua inglesa, a expressão "a cada Lua Azul" é utilizada para indicar eventos possivelmente raros. Diferentemente do que o nome indica, o fenômeno não apresenta um brilho mais intenso, não tem uma coloração azulada e não sofrerá nenhuma mudança de fato. Ela poderá ser vista de qualquer lugar do mundo e é uma lua cheia normal. A última vez que o fenômeno apareceu no céu foi no dia 31 de dezembro de 2009.


Dentro de um abraço

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Fotografia de Mylla More
E então? Somando os prós e os contras, as boas e más opções, onde, afinal, é o melhor lugar do mundo?
Meu palpite: dentro de um abraço. Que lugar melhor para uma criança, para um idoso, para uma mulher apaixonada, para um adolescente com medo, para um doente, para alguém solitário? Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e, se faltar luz, tanto melhor. Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve. Que lugar melhor para um recém-nascido, para um recém-chegado, para um recém-demitido, para um recém contratado? Dentro de um abraço nenhuma situação é incerta, o futuro não amedronta, estacionamos confortavelmente em meio ao paraíso. O rosto contra o peito de quem te abraça, as batidas do coração dele e as suas, o silêncio que sempre se faz durante esse envolvimento físico: nada há para se reivindicar ou agradecer, dentro de um abraço voz nenhuma se faz necessária, está tudo dito.

-Martha Medeiros

Curiosidades: Londres de cara nova

terça-feira, 17 de julho de 2012


Colorindo a cidade em meio aos dias cinzas e aos taxis pretos da capital inglesa, as cabines telefônicas vermelhas são um símbolo e levam o espírito da cidade para todo o mundo.

Em 1936, elas foram desenhadas por Sir Giles Gilbert Scott como comemoração do jubileu de prata da coroação do Rei George V. Mais de 70 anos depois, elas recebem um novo look com o projeto London, desenvolvido pela empresa BT ArtBox devido ao jubileu de diamante e os Jogos Olímpicos 2012 na cidade.


Estilistas como Giles Deacon, Julien Macdonald e Zandra Rhodes são alguns dos autores das ilustrações que irão tomar conta das cabines artísticas, que ficarão expostas na vitrine da loja de departamento Harvey Nichols, do bairro de Knightsbridge, para depois serem espalhadas por diversos pontos da cidade. A ação é tão incrível que atraiu nomes como a modelo Lily Cole e o designer de chapéus Philip Treacy.

E se arte nas ruas já não fosse o bastante, após a exposição os projetos serão vendidos para arrecadar fundos para a organização Childline, uma linha de apoio às crianças que está comemorando seu aniversário de 25 anos. Dia 18 de julho acontece um leião com parte do acervo na National Portrait Gallery, e depois o eBay recebe o restante. Isso significa que poderemos participar, vamos ficar antenadas! E salvem a Rainha!





Nunca fica

quinta-feira, 28 de junho de 2012


Tenho lido trechos, aceitado sugestões, mas quando é a tão chegada hora de renovar, surge aquela figura humana que me enfeitiça mais uma vez, e tudo vira mais do que surreal. Por alguma razão, algo me leva a crer que isso é um sinal. Sinal de que eu não sei, é só um sinal. Sinto uma vontade absurda de viver, sigo numa incessante busca em ser amada. É um vazio que carrego na procura de algo o alguém que possa preencher até derramar. Preciso que me desafie, que vire meu mundo do avesso... Que acarinhe todo o sentimento guardado. É como se tivesse depositado numa gaveta e trancado todo o amor. E guardado a chave num lugar onde o único alguém que sabe, volta... Mas nunca fica.

São frases perdidas

quarta-feira, 27 de junho de 2012


Hoje acordei com aquela vontade louca de te mandar uma mensagem, de te ligar só pra ouvir tua voz. Saudades... Muita, muita mesmo. Quero teu cheiro, teu gosto, teu toque pra já. Tá difícil essa distância toda. Esse silêncio que nos sonda, esse orgulho que me persegue. E todas essas frases perdidas que encontro se encaixam perfeitamente. É difícil não te ter, complicado demais pra encarar tal realidade, mas se assossegue coração. Não importa as voltas que o mundo dá, se tiver de ser, o destino nos colocará frente à frente novamente.

Decisões

terça-feira, 19 de junho de 2012


“Tenho medo de te perder por falta de atenção ou por excesso dela. Tenho todos os motivos do mundo pra te pedir pra ficar comigo, do meu lado, mas não posso (mais) fazer isso, preciso sentir que você também quer estar comigo.”
 -Tati Bernardi

São apenas decisões. Tenho sofrido com isso. Não sei se vai ser melhor ou ruim assim. Mas decisões, são decisões. Sem mais.

(Magoada e triste.)

Gira por ti

terça-feira, 22 de maio de 2012


E, mesmo que eu ainda não saiba porque, meus pensamentos sempre me lembram você. É como se todo o (meu) mundo girasse por ti.

Tentar fazer-se de forte, e enfrentar

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012


Há um tipo de choro bom e há outro ruim. O ruim é aquele em que as lágrimas correm sem parar e, no entanto, não dão alívio. Só esgotam e exaurem. Uma amiga perguntou-me, então, se não seria esse choro como o de uma criança com a angústia da fome. Era. Quando se está perto desse tipo de choro, é melhor procurar conter-se: não vai adiantar. É melhor tentar fazer-se de forte, e enfrentar. É difícil, mas ainda menos do que ir-se tornando exangue a ponto de empalidecer. Mas nem sempre é necessário tornar-se forte. Temos que respeitar a nossa fraqueza. Então, são lágrimas suaves, de uma tristeza legítima à qual temos direito. Elas correm devagar e quando passam pelos lábios sente-se aquele gosto salgado, límpido, produto de nossa dor mais profunda.Homem chorar comove. Ele, o lutador, reconheceu sua luta às vezes inútil. Respeito muito o homem que chora. Eu já vi homem chorar.

Clarice Lispector - A Descoberta do Mundo

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