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Retrocessos

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010


Não me aproximo porque, veja bem, sabe lá quem habita a tua solidão. Hesito. Recuo. Me afasto tristíssima. E te imagino em poses e sorrisos, voz grave e cabelos desgrenhados, preso nas minhas fantasias mais loucas e movimentadas. Numa delas sou um bichinho invisível, com asas, que adentra tua casa e te observa em segredo. Faço o contorno do teu corpo todo com os olhos, parada contra a parede do teu quarto, imóvel, enquanto tu te atiras na cama. Cansado. Tu olhas para o teto imaginando mil coisas, memórias, compromissos, desejos, saudades. Te fito com dor. A luz do abajur faz sombra na tua pilha de livros, que folheei um dia e quis pedir emprestado mesmo sabendo que não havia intimidade para pedidos. Por razões que desconheço, nossas aproximações foram sempre pela metade. Interrompidas. Um passo para a frente e cem para trás. Retrocessos. Descaminhos. Procuro sinais de algum amor teu. Vestígios de noites passadas. Tu não me vês, estou incógnita a te observar. Como sempre estive, olhando pelas janelas, de longe, coração apertado. Nós poderíamos ser amigos e trocar confidências. Assistiríamos a filmes, taça de vinho nas mãos, e tu me detalharias as tuas paixões e desatinos. Nós poderíamos ser amantes que bebem champanhe pela manhã aos beijos num hotel. Caminharíamos, e eu te olharia atenta, numa tentativa indisfarçável de gravar o momento e guardá-lo comigo até o fim dos meus dias. Ou poderíamos ser apenas o que somos, duas pessoas com uma ligação estranha, sutilezas e asperezas subentendidas, possibilidades de surpresas boas. Ou não. Difícil saber. Bato minhas asas em retirada. Tu dormes, e nos teus sonhos mais secretos, não posso entrar. Embora queira. À distância, permaneço te contemplando. E me pergunto se, quem sabe um dia, na hora certa, nosso encontro pode acontecer inteiro. Porque tu és o único que habita a minha solidão.

São tantos caminhos;

quinta-feira, 15 de abril de 2010

No começo é tão difícil escolher somente um,mas o importante é sempre andar pra frente pra um dia olhar para trás e dizer: 'Faria tudo novamente'.
Tive dias tão turbulentos,que vontade de mudar de Cidade,Estado,País,Planeta...não me faltaram. Parecia que eu tinha caído de Para quedas,não tinha rumo.
A falta de tempo para mim mesma quase me matou.Minhas paixões estavam sempre ficando de lado.Meus amigos quase nem conseguia ver.Apenas trabalho e mais trabalho.
Sofri tão desesperadamente por pessoas que até hoje não sei se mereceram. Fui tão julgada por erros que nem cometi,as vezes por não me conhecerem realmente,mas 'os que me julgaram errado eu só lamento'♪ (:
Afastei pessoas que não me faziam bem,joguei fora lembranças que só me machucavam. Briguei porque não achava certo e chorei por saber que estava errada. Assumi cada ato meu.
Mudei TANTO,cresci TANTO!
e não me arrependo de nada(...)

Ilária Oliveira. Tecnologia do Blogger.