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Comigo mesma

domingo, 25 de novembro de 2012

Acho que descobri muito sobre mim nos últimos tempos, talvez não tenha sido tão tarde e sim um reconhecimento de sentimentos que 
ano após ano eu tentei apagar,
ou fingir que não faziam mais parte de mim, mas que por algum motivo todos eles voltaram a aparecer, que coisa estranha que é a vida…
Eu fiquei me desenhando me moldando me mudando e excluindo de dentro de mim certos sentimentos que só me faziam mal, e eu juro que achei que estava livre, e descobri que na verdade no fundo no fundo eu sempre continuei querendo amar, e que atrás daquela mulher aparentemente fria e sem sentimentos que eu me tornei eu escondia isso de mim mesma, minha vida é um grande teatro.. e agora eu tenho certeza, nunca vou me conhecer por inteira, sempre vou me surpreender comigo mesma, e sempre vou mudar, acho que agora posso mostrar sinceramente o que eu sinto, sem precisar esconder mais nada,e que na verdade sempre fui super apaixonada por tudo o que eu faço e pelas minhas atitudes ,mas todas elas mesmo, eu sou os restos de ontem, restos de sentimentos, restos de aprendizados…
Uma coisa é certa: eu mudei, eu aprendi que eu realmente tenho uma facilidade enorme de me apegar as pessoas, e acreditar no ‘dessa vez vai ser diferente’ mais eu também tenho uma facilidade enorme de esconder tudo isso caso seja preciso, eu ainda continuo dando o máximo de mim pra não me apegar pra não demonstrar e muito menos pra me apaixonar só que agora não mais por uma questão de medo.. só por garantia mesmo, porque agora eu sei que sou eu que me construo, e que demoro pra erguer e mesmo assim as vezes tenho recaídas.. Mais faz parte, ás vezes é preciso me desconstruir e reconstruir, me reinventar, me adaptar e aprender a viver.. eu venho conseguido tudo que eu quero aos poucos, e acredito que ainda vou olhar no espelho e escolher a 
mulher que eu quero ser…
”E AINDA BEM MELHOR DO QUE SOU HOJE” Sem máscaras, sendo simplesmente eu..


Sonho

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Slow motion e vejo bocas se movendo. Sorrisos, palavras, que não compreendo, não ouço. Tamanhos e formas diferentes, inéditas. Lentamente as feições de seus rostos começam a aparecer. Largos, intrusos, tímidos e arrogantes. As mãos se movem como que puxando um cordão. Chamam-me. Sorrisos, palavras, que não compreendo. Um fundo coberto por uma fina névoa os envolve e não tenho certeza se eles tocam o chão com os pés. Seus olhares me intimidam, me chamam, me obrigam. Será que sou eu que me movo? Sinto que me aproximo deles, como se um violento jato de ar me empurrasse. Cambaleio e quase caio. Suas mãos me amparam e formamos um circulo. Do outro lado vejo um sorriso, puro e angelical, que me faz feliz. Cabelos se emaranham no movimento. Olho para as mãos que me seguram, mas não posso ver seus braços, pois uma espessa camada de névoa parece envolvê-los. Vejo sua cabeça. Cada passo para o lado é um salto no espaço e nunca tenho a certeza se voltarei a Terra novamente. Giramos. O ritmo parece acelerado, mais e mais, a cada rodada. Meus braços estão sendo esticados e o movimento me deixa tonta. Rápido, muito rápido. Não vejo mais silhuetas, nem sorrisos ou cabelos, apenas manchas que parecem desenho de lápis aquarela depois de uma severa pincelada de água. Olho para as minhas mãos e elas estão sozinhas. Começo a escutar. Cochichos, murmúrios, risadas. De quem são essas vozes? Estão por todos os lados e ouço uma forte gargalhada bem atrás de mim. Viro-me para tentar surpreendê-la e então meu corpo é sugado pelo vácuo. Talvez o vácuo do Universo. Silencio absoluto. Meu corpo esta molhado, sinto-me coberta por um plasma. Não vejo, não ouço. Não sei mais se o que sinto na cabeça é o mesmo que sinto nos pés. 

Adaptei do livro Cartas ao cão – Tatiana Busto Garcia

Ilária Oliveira. Tecnologia do Blogger.