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O ritmo dos pingos

sexta-feira, 2 de novembro de 2012


Chuva traga o meu benzinho
Pois preciso de carinho
Diga a ela pra não me deixar triste assim...
O ritmo dos pingos ao cair no chão
Só me deixa relembrar 
- Los Hermanos 

Noite quente... Incômodos... Chuva... Lembranças... 
Trouxe a chuva, momentos não mais lembrados... Trouxe saudade. Chuva, chuva... Acalme-me, não me enlouqueça. Exale seu cheiro e não o cheiro de antigos abraços. Faça seu balé... e lave as mágoas. Simplifique esse complicado espaço de tempo.

Sinto faltas

segunda-feira, 3 de setembro de 2012


Sinto falta. Falta de você o tempo todo. Sinto falta. Falta da espontaneidade, falta de certos sorrisos e malicias, falta das bobagens ditas sem pensar e ao ser percebidas, serem envergonhadas. Sinto falta, falta de toques, de palavras, de momentos, de beijos e cheiros. Sinto falta, de cada gota caída no vidro, da neblina que ofuscava as luzes da cidade. Falta de olhos que observam e devoram; braços que acolhem e aconchegam; falta do colo. Sinto falta de adjetivos, falta de como me saudava. São faltas.

Uma caixinha

sexta-feira, 9 de julho de 2010


Ela era uma menininha durona. Todos que conviviam com ela sabiam que ela amava diferentes pessoas, de diferentes formas. Mas o que poucos sabiam é que ela tinha uma caixinha. E que toda vez que ficava sozinha a caixinha aparecia ao lado dela. Pequena, discreta, trancada.

Um dia, mesmo sem chuva, uma triste coisa aconteceu. Então menininha chorou, e ninguém a compreendeu. Ela pegou a caixinha, abriu receosa e ali guardou aquela tristeza. A sensação que ela tinha era de que enquanto a caixinha estivesse fechada, não precisaria chorar por aquilo de novo.

Ela não queria chorar de novo, e não conseguiria lidar com aquela dor.

Mas havia algo de errado com a caixinha, a tranca parecia não aguentar a força daquela tristeza. Cada vez que a menininha ficava sozinha, sentia medo de que tudo viesse à tona.

A menininha não deixou de ser durona, mas cresceu com medo daquelas lágrimas. Não criou coragem de enfrentar a dor, e por isso, sofria toda vez que ficava sozinha.

Não tão autobiográfico como eu gostaria. A caixinha continua fechada, e fica difícil escrever sobre a tristeza que há nela.

Ilária Oliveira. Tecnologia do Blogger.